Prazer de Agir, de Brincar, de Pegar e de Aprender
Associar idéias opostas, como brincar e aprender parece inconcebível hoje em dia no enquadre educativo. Em efeito, no mundo atual da escola, no qual as exigências cognitivas são cada vez mais precoces e às vezes incisivas, é preciso, a meu ver repetir que estas idéias fundam na verdade um percurso de maturação psicolo?gica, que os educadores devem descobrir e que os reeduca dores devem redescobrir para ajudar a criança a viver um desenvolvimento mais harmonioso, num mundo tão difícil de se viver e compreender.
O ser humano nasceu para o prazer e foge ao desprazer e o sofrimento.
O prazer é um conceito fundador do desenvolvimento da criança e defendo esta idéia há mais de trinta anos, mas o prazer é também um conceito fundador da pratica de ajuda psicomotora como eu a criei.
O prazer nós o sentimos, no?s o vivemos como uma excitação sensorimotora agradável, difusa, más fica mais difícil de explicar.
No entanto, neurologistas há alguns anos mostraram a importância de alguns hormônios produzidos pelo arqueocérebro como a dopamina, a noradrenalina e principalmente endomorfinas para a gênese e a manutenção do prazer.
Nós consideramos de suas explorações científicas:
-que o prazer é um ativador do sistema nervoso central que provoca um estado de tensão cerebral que possibilita a atenção, a intenção, a anteciparão.
-que o prazer cria uma dinâmica de desenvolvimento das sinapses, que permite a plasticidade do S.N de expressar-se.
-finalmente o prazer é o que aproxima, enquanto a dor e o desprazer afastam. O prazer abre a criança ao mundo, enquanto o desprazer o afasta o fecha sobre si - mesmo.
Mas o que seria o prazer sem o desprazer, trata-se de uma dupla antagónica que não pode viver um sem o outro!
A ação é prazer
Num contexto assegurador de amor parental, quando o bebê mama, ele age pulsionalmente sobre a mãe; ela se transforma (uma transformação sensorial, tônica, emocional e psicológica). Inversamente, quando a mãe age sobre a criança para lhe proporcionar cuidados e aliviá-los; este se deixa transformar (uma transformação sensorial, tônica e emocional).
Assim toda ação é um processo de transformação recíproca que interessa tanto a mãe como a criança.Neste sentido, a ação de um se confunde com a do outro: a ação vincula à criança a mãe. A criança não está sá, o outro esta? dentro dele.
Por outro lado, as transformações recíprocas definem as interações da relação mãe-criança e dão origem ao prazer de um e de outro, o que facilita o processo identificação primária.
No entanto, a criança não vive sempre transformações reíprocas ideais, ele vive então o desprazer.
Voltarei a abordar este tema mais adiante.
As conseqüências das transformações recíprocas e do prazer que elas liberam têm conseqüências capitais para a evolução da criança.
O prazer da ação e a gênese psíquica
Emcondições mais favoráveis, no decorrer dos primeiros meses, o bebê engrama transformações de seu corpo que correspondem às ações vividas sobre o corpo da mãe ou às ações exercidas sobre ele pela mãe.
Estes engramas são vestígios de ações guardados na memória implícita: esta memo?ria registra experiências primárias de prazer ma?s também experiências dolorosas de desprazer:
-Esta memo?ria implícita reconhecida hoje formaria o inconsciente origina?rio não recalcado.
-ela condiciona a vida afetiva emocional, cognitiva e sexual da criança, más também a do adulto.
-ela se expressaria somente pelo sonho, pela via não verbal: motora, rítmica, vocal e tonicoemocional.
Evidentemente, este aspecto interessa principalmente especialistas de ajuda à criança, e estabelece um lugar essencial à expressividade do corpo no desfecho de conflitos corporais profundos, provindos da primeira infância.
Os vesti?gios de ações de prazer registradas estão na origem dos fantasmas de ação.
Em efeito, quando a criança vive esperas prolongadas ou respostas inapropriadas à satisfação de suas necessidades, este se coloca em um estado de tensão tônica e emocional. Surgem então dores corporais, desprazer, e um certo grau de angústia.
Se a mãe é fonte de prazer, ela é igualmente temida, preocupante, fonte de desprazer, porque ela faz com que a criança viva momentos difíceis inevitáveis.
Assim, a falta de prazer e ressentida com um grau de angústia, a criança cria para sí uma dinâmica desejante para obter o objeto de prazer, sem por tanto recebê-lo. A criança "caça o prazer" Gerard Mendel.
Esta dinâmica desejante associada às descargas hormonais de dopamina solicita intensamente a memória implícita e então a criança representa pulsionalmente ações de prazer que ele viveu com a mãe. "Representações"?
Este desejo de ação é um fantasma de ação, é uma ação pulsional violenta, sem limite, não recalcada e que não se expressa pela via corporal, pela motricidade: como chupar os dedos, um pano, levar objetos à boca, morder, pegar, tocar, e mobilizar seu corpo no espaço.
O fantasma de ação de devoração
O fantasma de devoração é um fantasma de grande poder: devorar a mãe, incorporá-la em sí é ama-la; más simultaneamente porque ela é temida, devorar a mãe é também destruir e aniquilá-la, por isso o fantasma de destruição.
Eis certamente o conflito originário mais marcante do ser humano, que gera toda a vida afetiva (amor e ódio) e cognitiva da criança, e de nós todos.
Mas não é um conflito intrapsíquico por causa da imaturidade psicológica da pequena criança, é um conflito intracorporal que eu concebo como um conflito intratônico: como explicar abraços fortes seguidos rapidamente de violentas mordidas e arranhões, ou de um afastamento. Como explicar o prazer de construir uma torre com cubos e depois destruí-las violentamente.
Pais confrontados ao fantasma de devoração
No princípio, a mãe apropria-se do fantasma de devoração de seu filho e brinca com ele através de "eu te como, eu te como", fazendo de conta com a boca e com as mãos "de devorar" seu filho. A criança vive então um prazer evidente compartilhado pela mãe. Ela inicia seu filho a representar o fantasma numa área do brincar, uma área simbólica. A criança, muito identificada à sua mãe a imitara? e assim será convidado a não morder mais e a integrar facilmente o "não, você não me morde", a realidade então.
Não obstante, a iniciação à dimensão simbólica não está encerrada. Simultaneamente, a mãe ensina ao seu filho a dar beijos, em seguida a mandar beijos. Ora, o beijo é um simbolismo da devoração... Não é! Em seguida a mãe ensina ao seu filho a "dar tchau" com a mão, feito uma boca que se abre e se fecha, a mão sendo um prolongamento da boca.
A devoração inicial se tornou um gesto relacional, social, que coloca o corpo à distância: os fantasmas,a pulsionalidade e a intensidade dos afetos, entre parênteses, são contidas. A criança abre-se ao simbolismo de seus fantasmas integrando a realidade graças à qualidade de identificação primaria e a a?rea do brincar compartilhado. O que resta a criança. O prazer de devorar com os olhos, de devorar conhecimento. O conhecimento como mãe provedora?
Mas como se dá o acesso ao simbo?lico e a integração da realidade quando a relação ao outro se contro?i sob um fundo de desprazer, de ódio e de agressividade?
O prazer de pegar
O prazer de pegar o mundo para si é apenas a continuidade da expressão do fantasma de devoração. Em efeito, a perda do prazer de agir sob o outro é compensada pelo prazer de pegar o espaço e os objetos. Pegar é um asseguramento simbo?lico contra a perda.
Pegar o espaço e todas suas direções pela conquista de estar de pé, assim como pegar objetos são metáforas do corpo desejado da mãe. Sim, a criança pega o espaço como ele pegou o seio. Como vocês explicam que as crianças que vocês ajudam que têm dificuldade de aprendizagem revelam seu medo de ser devorado ou seu desejo de ser devorado, de ser amado?
Os pais facilitam as primeiras ações de seu filho com um mínimo de coação. Deixando-o agir, este encontra resistências em seu ambiente e encontra prazer em resolvê-los. A criança se mede a realidade, esta que o permite de conter o excesso pulsional de pegar.
Na ausência dos pais, o prazer de agir e de transformar o ambiente é uma experiência sempre nova do espaço e do tempo. A ação prevalece à onipotência, a força do sujeito sobre o mundo, a eficácia e conquista de si, a confiança em si, o prazer de ser si mesmo em direção a autonomia.
Pore?m, se os pais não deixam a criança agir, este não pode viver a onipotência de sua ação, ele sofre de sua ineficácia, e sofre de suas derrotas repetidas e correndo o risco sentir-se invadido pelo poder agressivo dos pais.
Agir para conhecer
Agir sobre o mundo, descobrir e redescobrir com insistência, é afirmar seu desejo de viver e ao mesmo tempo o desejo e conhecê-lo.
- Para a repetição da ação, a criança cria o espaço e os objetos. Ele os observa com insistência, ele descobre os parâmetros que o constituem, ele os memoriza para compara?-los a outros espaços e outros objetos. A criança é sa?bia.
-A repetição da ação da? a criança a segurança de adquirir conhecimentos futuros.
-A repetição da ação assegura a capacidade de aprender por si - mesmo, assegura tambe?m à curiosidade intelectual para compreender este mundo tão complexo no qual vive a criança hoje.
O desejo e o prazer de aprender podem ser compreendidos como uma evolução do prazer de pegar e alem do prazer de devorar, más não há prazer de aprender sem falta assumida. O conhecimento torna-se então um simbo?lismo de asseguramento contra angu?stia de perda.
Brincar livremente
A criança brinca pelo prazer de agir projetando seu mundo interno psíquico inconsciente e consciente, mas nossa atenção enquanto especialista de ajuda nos leva a compreender por que algumas crianças brincam enquanto outras não.
Elas brincam com prazer para se assegurar contra a angu?stia. Todas as brincadeiras têm uma função de asseguramento.
A angústia, é um corpo em tensão, sofrendo, que resulta de uma relação defeituosa e que corresponde a um estado afetivo de desprazer e emoções de mal-estar.
A partir desta definição, compreendemos facilmente que a criança so? pode assegurar-se pela dinâmica do prazer que aniquila o desprazer da angústia.
- Algumas crianças vivem então um grau de angústia assumido e se asseguram pelo brincar, enquanto outras vivem um grau de angu?stia excessivo não assumido e não podem se assegurar pelo prazer insuficientemente vivido na relação.
- Assim, todas as angu?stias da criança se referem a angústias arcaicas de perda do corpo (queda, despedaçamento, dissolução, explosão) que se desenvolvem no decorrer dos 6/8 primeiros meses.
Estas se manifestam pela agitação motora e descargas emocionais (choro, gritos) as quais são bem contidas quando a qualidade do envelope protetor dos pais existe. Más apesar disso, certo grau de angu?stia arcaica e de agressividade inevitáveis se mantêm, que a criança pode assumir porque ela tem recursos elementares de asseguramento simbólico como devorar, pegar, tocar, manipular, mobilizar-se, aprender, identificar-se a mãe…, mas também porque a criança é capaz de pôr em pra?tica brincadeiras de asseguramento profundo.
Estas brincadeiras aparecem espontaneamente em todas as crianças em torno do terceiro ano e duram muito tempo, e acredito a vida toda. Estas brincadeiras são:
-construir, destruir (juntar, separar, abrir, fechar, encher, esvaziar),
-equilibrar-se, cair, girar, se balançar,
-enrolar-se (envelopar-se e ser envelopado), liberar-se,
-esconder-se, ser descoberto,
-perseguir, ser perseguido, escapar, fugir,
-identificar-se com o agressor, identificar-se com o agredido
Um movimento diale?tico de ações opostas permanece nestes jogos. Em efeito, esta ações opostas permitem a criança de viver o prazer de construir, de equilibrar-se, de envelopar-se... Esta experiência se refere às ações da mãe e libera o prazer de atacá-la, de destruí-la, e assim afastar o medo de ser destruído e abandonado*.
Assim, no prazer de construir existe o desejo de destruir para construir melhor novamente. Então nós podemos dizer: mais estou perto de você, mas eu desejo me afastar de você, para melhor me reaproximar de você e assim por diante. Será que esta dialética não é va?lida para a vida toda!
Esta brincadeiras de asseguramento profundo estão presentes em todas as culturas, elas são universais. Elas são uma expressividade do corpo sem fronteiras. Elas garantem a segurança afetiva da criança e sua evolução psicolo?gica e principalmente o desejo de crescer e construir-se como sujeito independente.
As crianças que vocês ajudam não viveram esta diale?tica de ações opostas. Elas vivem uma falta de asseguramento profundo. Ajudá-las a se construir é um processo asseguramento é a condição fundamental para encontrar uma segurança afetiva e abertura ao prazer de pegar e aprender. As angu?stias arcaicas não foram suficientemente contidas dão um sentido as dificuldade principais que vocês conhecem, mas que eu gostaria no entanto de relembrar rapidamente.
______________________________________________________________________________________
* A criança se apropria o ódio contra o objeto-mãe para melhor dominá-la e que ela não seja mais um entrave para sua evolução. Trata-se de um mecanismo inconsciente que no?s encontraremos na brincadeira de identificação com o agressor______________________________________________________________________________________
Dificuldades afetivas e relacionais
As angu?stias e o desprazer provindos de uma relação defeituosa fazem com que a criança se sinta invadida por "objetos maus", não podendo reter o "bons objetos". Ele se sente perseguido por uma carga agressiva, um perseguidor interno corporal, um agressor que não é identificado.
A propósito, não pode haver evolução sem ajudar a criança para desmascarar este perseguidor interno, representando-o pelo brincar, pelo desenho, pela modelagem e pela linguagem a fim que a criança descubra nela, que ela possui bons "objetos", e que suas pulsões agressivas não o destroem.
A carga de ódio acumulada contra o objeto-mãe separa o mundo externo da criança : nada é bom, nada é para se reter, tudo deve ser rejeitado, destruído, e toda a energia pulsional agressiva é:
-ou projetada para o exterior, por isso a instabilidade, a agitação motora usada agressivamente para reagir contra a mãe e fugir a realidade. Os pais, responsáveis, professores, são vividos como perigosos, carregados de desconfiança apesar de sua atitude compreensiva. A carga agressiva com as pessoas limita, ou mesmo impossibilita disponibilidade para outros investimentos, principalmente do ponto de vista da realidade das aprendizagens e do conhecimento.
-ou a pulsionalidade agressiva, destruidora é voltada contra ele mesmo. A passividade motora, a inibição psíquica, assim como a retenção emocional são conseqüências. Estas crianças cujas angústias não foram suficientemente contidas, sofrem. Elas sofrem porque elas não podem criar processos de asseguramento contra a angústia. Eles não são nem seres de ação, nem seres de brincar, tampouco seres de comunicação. Seu comportamento pode oscilar entre excitação motora, agitação e apatia, desinteresse de tudo. São crianças de uma grande fragilidade emocional. Os medos, a raiva são freqüentes e sua capacidade de descentração tônico-emocional é muito fraca. Aí está um fator a mais que limita e atrasa o acesso as aprendizagens cognitivas.
Estas crianças buscam sua identidade por falta de identificação primária. Elas vivem dolorosamente a angu?stia de separação com a mãe e por isso a identificação à figura feminina ou a figura masculina são incertas. A identificação sexual para a menina como para o menino é difícil e esta incerteza invade o pensamento da criança e o coloca em um conflito que deixa pouca disponibilidade para que ele se pense e pense o mundo externo.
As dificuldades instrumentais
As angústias arcaicas insuficientemente contidas limitam o desenvolvimento das organizações instrumentais como a sensibilidade interoceptiva, proprioceptiva e exteroceptiva, assim como o tônus e o ritmo das atividades.
A fragilidade da sensibilidade interoceptiva diminui o desenvolvimento de algumas funções somáticas e podem aparecer então desde os primeiros meses e somatizações digestivas, respiratórias. A agitação motora futura será a seqüência lógica.
A fragilidade da sensibilidade proprioceptiva gera uma imagem interna do corpo mal definida e um atraso na descoberta da imagem especular. A representação de si pelo desenho é incerta.
Por outro lado, a fragilidade das sensações proprioceptivas não favorece o desenvolvimento otimal do tônus de equilíbrio, a insegurança afetiva é evidente. Por isso o medo da queda e a busca do chão como lugar de segurança.
A fragilidade das sensações proprioceptivas não permite a criança perceber seu eixo corporal descoberto na qualidade do apoio parental e nós conhecemos a importância das sensações cinestésicas e visuais deste eixo na aquisição da lateralidade.
A fragilidade das sensações exteroceptivas corre o risco de deformar a percepção do mundo externo e sustentar erros de caráter espacial e temporal. A criança privilegia então o espaço e o tempo afetivo.
Dificuldades cognitivas
A noção de permanência estabelecida a partir da qualidade da relação com a mãe, bem como a criação de objetos de prazer, durante sua ausência, quando não é assegurada, a noção de conservação não poderá ser integrada e cumprida de forma satifatória. Ora, esta é necessária para o estabelecimento de muitas funções cognitivas e à organização lógica do raciocínio. Aliás, a noção de antecipação corre o risco de ser alterada e no?s sabemos o quanto esta noção é indispensável ao desenvolvimento da inteligência e da capacidade de pensar e representar o mundo.
***
Eu lhes propus algumas idéias para compreender as dificuldades da criança e para ajuda?-La a restabelecer o sentido de ser ela mesma e de aprender. Ma?s um discurso teórico por mais pertinente que seja é pouca coisa para a pessoa que se compromete em ajudar uma criança que esta? sofrendo.
Em efeito, não existe ajuda sem uma sensibilidade emocional dirigida a criança: sentir em si seu corpo, seu tônus, suas sensações, a criança em seu mal-estar, através de seus gestos, de seus gritos, de seus silêncios, de suas recusas são as prioridades da ajuda.
Viver ressonâncias tônico emocionais recíprocas, com certa empatia abre caminho para imaginar as intenções da criança, de viver seus desejos profundos jamais expressados, abre um caminho para compreender a criança para além do que ela é naquele momento.
A este propósito, a formação pessoal pela via do corpo deve ser a chave mestre de toda formação para este e esta que escolheu de ajudar crianças em dificuldade.
N0s
E para concluir, eu imaginei um diálogo com todas as crianças que eu ajudei.
- você sabe por que você vem aqui comigo?
- Sei não.
- porque você esta? mal na escola, na sua família.
- Tá bom, pa?ra, eu vim aqui para brincar.
- Espera, você esta? aqui para que eu te ajude a ficar melhor na escola, na vida.
- Está bem, mas eu sei tudo que a professora e meus pais te disseram.
- Más eu posso te dizer que eu esqueci tudo que a professora e seus pais me disseram. Quando eu estou contigo aqui, eu não tenho mais memo?ria.
- Bem, a professora me diz sempre que eu tenho um memo?ria parecida com um escorredor!
- Talvez seja para ser engraçada que ela te diz isso.
- Então você, você é um especialista da ajuda às crianças que têm ide?ias negras.
- Se você quiser.
- Bom, você brinca comigo.
- Certamente. Algumas vezes, você brincara? de lobo, de dragão, de bruxa, de fantasma, de Batman, de Power Rangers… de Zorro. Más você não conhece o Zorro.
- Sim, meu avô já me falou dele.
- Quando eu tinha sua idade, eu era fan de Zorro, eu não sei por quê. Talvez por causa da máscara, de sua grande espada, de seu cavalo preto? Seu fiel servente? Você sabe como se chamava seu servente? Bernardo, ele era surdo e mudo.
aqui, se você quiser, você poderá brincar de bebê, de passarinho caído do ninho, e eu poderei te carregar!
- Você faria isso por/para mim?
- Sim, eu posso porque eu não sou uma pessoa como as outras.
- E você acha que isso vai me ajudar a aprender na escola?
- Talvez, para ter menos ide?ias negras. Agora é hora de partir, de voltar para sala de aula
- Não quero ir embora.
- Eu vou te dar um cartão para a próxima sessão.
- não preciso, eu me lembro que aqui com você é sempre as quintas-feiras às 10 horas
- Aliás, o u?ltimo cartão você mordeu as beiradas.
- é…é porque eu queria te comer.
- Oh, là, là, me comer!
- é…, porque eu estou bem contigo e agora eu não estou mais sozinho! Você entende?
- Sim, eu te entendo. Tchau. Até quinta-feira que vem. "